Autor: agildosouza

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  • ESTREITO DE ORMUZ, PODER E ENERGIA

    ESTREITO DE ORMUZ, PODER E ENERGIA

    Geopolítica · Energia · Oriente Médio

    Ormuz: o estreito que conecta petróleo, poder e guerra

    Por que essa passagem marítima importa, o que está em disputa e como os analistas da região enxergam os caminhos do conflito.

    Base da pesquisa: 20 de outubro de 2026 · Panorama e análise

    Uma passagem estreita, uma dependência mundial

    Estreito de Ormuz visto pelo satélite Terra
    Estreito de Ormuz visto pelo satélite Terra. Imagem de arquivo: 2 de dezembro de 2020.MODIS Land Rapid Response Team / NASA GSFC · Domínio público nos EUA · Acervo e original.

    Entre o Irã e a península de Musandam, em Omã, o Estreito de Ormuz liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico. Sua importância nasce de uma combinação difícil de substituir: grandes produtores de energia de um lado e os mercados consumidores do outro.

    39 kmde largura no ponto mais estreito
    20 milhõesde barris por dia atravessaram a rota em 2025
    ≈ 25%do comércio marítimo mundial de petróleo em 2025

    Os indicadores de fluxo são uma referência anterior à guerra, não uma medida do tráfego atual.[1]

    Cerca de 80% desse petróleo tinha como destino a Ásia. A passagem também é essencial para o gás natural liquefeito do Catar. Oleodutos sauditas e dos Emirados permitem contornar Ormuz, mas a capacidade adicional de desvio estimada pela Agência Internacional de Energia em fevereiro de 2026 — entre 3,5 milhões e 5,5 milhões de barris diários — não substitui o volume que normalmente cruza o estreito.[1]

    Península de Musandam, em Omã, vista do mar
    Península de Musandam, em Omã, vista do mar. Imagem de arquivo: acervo publicado em 2007.Lewisjh1945 · Domínio público, por declaração do autor · Acervo e original.

    Uma história de comércio, pressão e escoltas

    Na guerra entre Irã e Iraque, entre 1980 e 1988, ataques contra embarcações deram origem à chamada “guerra dos petroleiros”. Os Estados Unidos passaram a escoltar navios em 1987. No ano seguinte, depois que uma mina atingiu um navio americano, a Operação Praying Mantis levou a confrontos diretos entre forças americanas e iranianas.[2]

    A região também tem uma tradição diplomática. Omã ajudou a abrir canais discretos entre Washington e Teerã a partir de 2013, no processo que desembocou no acordo nuclear de 2015. Essa dupla condição — ponto de pressão militar e espaço de mediação — continua central para entender Ormuz.[3]

    Os principais fatos do conflito

    A guerra reúne questões que se reforçam mutuamente: segurança dos governos da região, programa nuclear iraniano, sanções econômicas, presença militar americana e liberdade de navegação. Ormuz é o lugar em que essas disputas ganham alcance mundial.

    A guerra chegou às rotas de energia

    Os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã ampliaram o confronto direto. Ameaças e ataques iranianos à navegação transformaram o transporte de energia em instrumento de pressão sobre os adversários e sobre países que dependem das importações do Golfo.[4]

    Sanções, bloqueios e concessões recíprocas

    Washington utiliza restrições econômicas e navais; Teerã exige seu alívio e vincula a normalização da navegação às condições de um acordo. A questão central é a sequência das concessões: quem age primeiro, o que recebe em troca e como verificar o cumprimento.[5]

    O impasse nuclear permanece

    Os Estados Unidos defendem limites ao enriquecimento de urânio. O Irã nega buscar armas nucleares e apresenta o programa como questão de soberania. As negociações também esbarram em quando tratar desse tema: junto com um cessar-fogo e a navegação ou como condição prévia.[5]

    Os vizinhos têm interesses próprios

    Arábia Saudita, Emirados e Catar precisam proteger cidades, infraestrutura e exportações. Omã e Catar mantêm canais de mediação. No Iêmen, os houthis acrescentam uma frente de risco no Mar Vermelho: trata-se de outra rota marítima, distinta de Ormuz.[3][32][33]

    Não é preciso fechar completamente o estreito

    O risco de ataques já pode elevar fretes e seguros, dificultar contratos e levar refinarias a trocar fornecedores ou modalidades de transporte. Rotas alternativas amortecem o choque, mas não eliminam a dependência.[1][6]

    O obstáculo de fundo: um acordo precisa produzir compromissos verificáveis e recuperar a confiança de quem transporta energia. Ali Vaez destaca outra dificuldade: para as lideranças, prolongar o confronto pode parecer politicamente menos custoso do que aceitar concessões.[7]

    Como a imprensa e os analistas da região interpretam a guerra

    As leituras a seguir se referem a reportagens, entrevistas e análises identificadas. Não representam uma posição única de cada veículo. Entre os especialistas, convém distinguir quem trabalha na região de pesquisadores da diáspora e reconhecer seus vínculos institucionais.

    O panorama da grande imprensa

    Reuters. A análise da coluna Open Interest, de 15 de outubro, enfatiza o risco de o choque temporário se tornar uma perturbação prolongada da oferta, dos investimentos e das rotas de energia.[8]

    Bloomberg. Na reportagem de 3 de outubro, republicada pelo Moneycontrol, a pressão econômica aparece como uma aposta de resultado incerto: pode estimular concessões, mas também provocar escalada preventiva.[9]

    Financial Times. A cobertura das repercussões econômicas acompanha a transmissão do choque energético para fertilizantes, alimentos e inflação. A adaptação dos mercados tem limites quando a interrupção se prolonga.[10]

    The Washington Post. A reportagem de 18 de outubro destaca a disputa de resistência política: o custo do petróleo pode pressionar Washington, enquanto Teerã aposta no desgaste do adversário.[11]

    The Wall Street Journal. A análise de 18 de junho chama atenção para a diferença entre uma trégua e um acordo que limite capacidades militares iranianas. Encerrar ataques não resolve automaticamente a insegurança dos vizinhos.[12]

    Vozes da região: maior proximidade, perspectivas distintas

    Kuwait · Professor e pesquisador

    Bader Al-Saif

    Professor da Universidade do Kuwait, com doutorado em Georgetown e circulação em instituições internacionais. Na reportagem da Bloomberg de outubro, destaca a ambiguidade da pressão: dificuldades econômicas podem favorecer concessões ou uma reação militar preventiva. Para as próximas semanas: a ausência de passos recíprocos pode ampliar o confronto; o desgaste iraniano, sozinho, não garante capitulação.[9][13]

    Bahrein · IISS, Manama

    Hasan Alhasan

    Especialista em segurança do Golfo, com experiência anterior na equipe do príncipe herdeiro do Bahrein — vínculo relevante para contextualizar sua perspectiva. Sua análise de junho enfatiza o que permanece sem solução nas capacidades de projeção do Irã. Implicação: avaliar garantias concretas aos vizinhos, além de anúncios de trégua. Esta é uma leitura estrutural, não uma previsão recente.[14][15]

    Emirados · Cientista político

    Abdulkhaleq Abdulla

    Acadêmico emiradense frequentemente ouvido pela imprensa internacional. Em julho, avaliou que uma trégua entre Emirados e Irã poderia durar se não houvesse novos ataques diretos ao território emiradense. Condição a observar: a contenção efetiva dos ataques. O argumento é condicional e anterior à presente pesquisa; não deve ser apresentado como prognóstico novo.[16]

    Catar · Middle East Council on Global Affairs

    Rashid Al-Mohanadi

    Pesquisador baseado em Doha. Na entrevista à CNN de maio, enfatizou as dificuldades de uma solução militar e a necessidade de diplomacia regional. Ormuz constitui poder de barganha, e os países do Golfo precisam participar da construção de uma saída. Implicação: negociações que excluam os vizinhos deixam interesses essenciais descobertos; não há aqui uma previsão com prazo fechado.[17]

    Pesquisadores da diáspora e centros internacionais

    International Crisis Group

    Ali Vaez

    Na conversa publicada pela Foreign Affairs em outubro, ressalta os custos políticos das concessões. Sua leitura ajuda a explicar por que negociações podem coexistir com confronto prolongado. Horizonte próximo: persistência do impasse é um cenário plausível, mesmo com canais diplomáticos abertos.[7]

    Chatham House

    Sanam Vakil

    Diretora do programa de Oriente Médio e Norte da África. Na entrevista de outubro à The New Yorker, diferencia recuperação dos fluxos econômicos de solução política. Horizonte próximo: a melhora das exportações não elimina os incentivos a uma nova escalada.[18]

    Texas A&M · Relações internacionais

    Mohammad Ayatollahi Tabaar

    Em sua análise na Foreign Affairs, situa os objetivos iranianos numa disputa mais ampla pela ordem regional e pela presença dos Estados Unidos. Implicação: um acordo parcial pode reduzir a violência sem encerrar a confrontação estratégica. Essa conclusão não define um calendário militar.[7]

    O que observar nas próximas semanas

    Três sinais ajudam a avaliar a direção do conflito: concessões recíprocas com sequência definida; redução sustentada dos ataques e do risco marítimo; e participação dos países do Golfo nas garantias de segurança. Esta é uma síntese das leituras acima, não uma previsão consensual nem uma promessa de desfecho.

    As projeções se referem ao horizonte posterior a 20 de outubro de 2026. As análises mais antigas foram mantidas apenas quando ajudam a explicar condições e interesses duradouros.

    Quem exerce o poder na região

    Nenhum ator controla sozinho Ormuz ou o Golfo. Há poder territorial, capacidade militar, recursos econômicos e acesso diplomático. “Pragmático”, “moderado” e “linha dura” descrevem tendências de atuação: pragmatismo externo pode coexistir com repressão interna.

    Influência não equivale a popularidade. As fontes consultadas não oferecem pesquisas recentes, confiáveis e comparáveis para medir o apoio popular a todos estes personagens. Os perfis distinguem autoridade institucional, reputação diplomática e apoio social, sem atribuir percentuais ou presumir consentimento.

    Irã: autoridade concentrada, funções diferentes

    Líder supremo

    Mojtaba Khamenei

    Mojtaba Khamenei
    Mojtaba Khamenei. Imagem de arquivo: 2024.Khamenei.ir; fotógrafo não identificado · CC BY 4.0 · Acervo e original.

    Clérigo e filho de Ali Khamenei, chegou à liderança suprema em 2026 após uma trajetória de influência nos bastidores. Ocupa o ápice formal do sistema e tem vínculos com redes de segurança. Perfil: linha dura. Sua força institucional não demonstra apoio majoritário; a limitada exposição pública dificulta avaliar sua popularidade.[19]

    Presidente

    Masoud Pezeshkian

    Masoud Pezeshkian
    Masoud Pezeshkian. Imagem de arquivo: 25 de julho de 2024.Khamenei.ir · CC BY 4.0 · Acervo e original.

    Cirurgião cardíaco e político reformista, eleito em 2024. Comanda o Executivo civil, mas não possui a palavra final sobre a estratégia militar. Perfil: moderado dentro do sistema. A votação de 2024 mostra uma base eleitoral, não uma medida de aprovação durante a guerra.[20]

    Ministro das Relações Exteriores

    Abbas Araghchi

    Abbas Araghchi
    Abbas Araghchi. Imagem de arquivo: 11 de julho de 2026.Ministério das Relações Exteriores de Omã · Licença Aberta de Governo de Omã 1.0 · Acervo e original.

    Diplomata veterano e negociador do acordo nuclear de 2015, assumiu a chancelaria em 2024. Seu peso está na experiência e no acesso aos interlocutores externos; compromissos dependem do núcleo de poder. Perfil: pragmático. Credibilidade profissional não significa autonomia para garantir um acordo.[21]

    Presidente do Parlamento

    Mohammad Bagher Qalibaf

    Mohammad Bagher Qalibaf
    Mohammad Bagher Qalibaf. Imagem de arquivo: 28 de abril de 2017.Mehdi Dehghan / Mizan · CC BY-SA 4.0 · Acervo e original.

    Ex-comandante ligado à Guarda Revolucionária, ex-chefe de polícia e ex-prefeito de Teerã. Conecta redes militares e políticas e ganhou centralidade nas articulações do regime. Perfil: conservador com pragmatismo tático. Seu histórico repressivo pesa na reputação pública; influência institucional não mede popularidade.[22]

    Secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional

    Mohsen Rezaei

    Mohsen Rezaei
    Mohsen Rezaei. Imagem de arquivo: 6 de setembro de 2020.Maryam Kamyab (مریم کامیاب) / Mehr News Agency · CC BY 4.0 · Acervo e original.

    Comandou a Guarda Revolucionária por 16 anos e assumiu a secretaria do conselho em agosto de 2026. Atua na coordenação de segurança e integra o campo próximo ao líder supremo. Perfil: linha dura, com credenciais militares; isso não fornece uma medida de apoio social.[23]

    Omã: o peso dos canais discretos

    Sultão de Omã

    Haitham bin Tariq

    Haitham bin Tariq
    Haitham bin Tariq. Imagem de arquivo: 21 de fevereiro de 2020.Ron Przysucha / Departamento de Estado dos EUA · Domínio público nos EUA · Acervo e original.

    No poder desde janeiro de 2020, tem longa trajetória no serviço público e na diplomacia. Define a política do país que ocupa a margem sul de Ormuz. Perfil: pragmático e conciliador. Sua influência externa se apoia na continuidade da mediação omanense, mais do que em capacidade de impor soluções militares.[24]

    Ministro das Relações Exteriores

    Badr Albusaidi

    Badr Albusaidi
    Badr Albusaidi. Imagem de arquivo: década de 2020, sem data precisa no acervo.Ministério das Relações Exteriores de Omã; fotógrafo não identificado · Licença Aberta de Governo de Omã 1.0 · Acervo e original.

    Diplomata de carreira com passagem por Londres. Conduz canais de interlocução sob a autoridade do sultão. Perfil: mediador pragmático. Sua credibilidade deriva do acesso e da interlocução entre adversários; não de poder coercitivo sobre eles.[25]

    Arábia Saudita: decisão centralizada e interesses econômicos

    Príncipe herdeiro e primeiro-ministro

    Mohammed bin Salman · MBS

    Mohammed bin Salman · MBS
    Mohammed bin Salman · MBS. Imagem de arquivo: 20 de maio de 2017.Casa Branca · Domínio público nos EUA · Acervo e original.

    Concentra as principais decisões, embora Salman permaneça rei. Associa sua liderança à transformação econômica da Visão 2030. Perfil: centralizador e pragmático na política externa. Reformas sociais e ambições de investimento coexistem com repressão e controvérsias sobre direitos humanos; visibilidade não permite estimar aprovação popular.[26]

    Ministro das Relações Exteriores

    Faisal bin Farhan

    Faisal bin Farhan
    Faisal bin Farhan. Imagem de arquivo: 22 de junho de 2021.Ministério das Relações Exteriores da Áustria · CC BY 2.0 · Acervo e original.

    Chanceler desde 2019, com experiência empresarial e passagem pela embaixada na Alemanha. Executa e negocia a estratégia da liderança saudita. Perfil: pragmático institucional. Seu poder decorre do mandato recebido, não de uma base política independente comparável à de MBS.[27]

    Ministro da Defesa

    Khalid bin Salman

    Khalid bin Salman
    Khalid bin Salman. Imagem de arquivo: 24 de fevereiro de 2025.Alexander Kubitza / Departamento de Defesa dos EUA · Domínio público nos EUA · Acervo e original.

    Irmão de MBS, ex-piloto militar e ex-embaixador nos Estados Unidos; assumiu a Defesa em 2022. Influencia alianças e cooperação militar. A função, por si só, não justifica classificá-lo como linha dura; sua atuação integra a cadeia de comando da monarquia.[28]

    Emirados e Catar: recursos, segurança e mediação

    Presidente dos Emirados Árabes Unidos

    Mohamed bin Zayed · MBZ

    Mohamed bin Zayed · MBZ
    Mohamed bin Zayed · MBZ. Imagem de arquivo: 15 de novembro de 2021.Alan Santos / Presidência da República do Brasil · CC BY 2.0 · Acervo e original.

    Governante de Abu Dhabi e presidente desde 2022, já exercia forte influência antes de assumir formalmente. Apoia-se em recursos financeiros, logística e alianças de segurança. Perfil: pragmático nas alianças e assertivo em segurança. É um dirigente diferente do saudita MBS. A rota de Fujairah dá aos Emirados uma alternativa parcial a Ormuz.[1][29][30]

    Emir do Catar

    Tamim bin Hamad Al Thani

    Tamim bin Hamad Al Thani
    Tamim bin Hamad Al Thani. Imagem de arquivo: 28 de setembro de 2017.Jette Carr / Departamento de Defesa dos EUA · CC BY 2.0 · Acervo e original.

    Assumiu em 2013, sucedendo o pai. Concentra autoridade num Estado cuja projeção combina gás natural, investimentos e diplomacia. Perfil: pragmático. A dependência das exportações por Ormuz aproxima segurança econômica e interesse na mediação; projeção internacional não mede popularidade interna.[1][31]

    Primeiro-ministro e chanceler do Catar

    Mohammed bin Abdulrahman Al Thani

    Mohammed bin Abdulrahman Al Thani
    Mohammed bin Abdulrahman Al Thani. Imagem de arquivo: 5 de março de 2024.Chuck Kennedy / Departamento de Estado dos EUA · Domínio público nos EUA · Acervo e original.

    Conduz parte importante dos canais diplomáticos do país e das tentativas de mediação com Teerã. Perfil: negociador pragmático, sob a autoridade do emir. Ter acesso aos envolvidos amplia sua influência, mas não garante que consiga obter concessões.[32]

    Iêmen: uma frente distinta, mas conectada

    Líder do movimento houthi

    Abdul Malik al-Houthi

    Assumiu a liderança após a morte do irmão Hussein, em 2004. Exerce comando sobre uma organização político-militar com capacidade de empregar mísseis e drones. Perfil: linha dura, com negociação tática. Aliado do Irã, mantém interesses próprios. Seu poder afeta sobretudo o Mar Vermelho e não equivale ao controle de Ormuz ou à representação de todo o Iêmen.[33]

    Estados Unidos e Israel são decisivos para o conflito, mas não substituem esses centros locais de decisão. Compreender Ormuz exige acompanhar tanto os atores capazes de ampliar a guerra quanto aqueles capazes de sustentar um acordo.

    Sobre as fotografias. Imagens de arquivo obtidas no Wikimedia Commons, com procedência e licença indicadas nas legendas. As datas se referem às imagens, não aos acontecimentos descritos. Algumas versões já foram recortadas no acervo; nesta postagem, apenas o tamanho de exibição foi ajustado, preservando suas proporções. O uso não implica endosso dos autores ou instituições ao artigo.

    Panorama elaborado com base nas fontes indicadas. Cenários são condicionais; cargos, condições de navegação e avaliações do conflito podem mudar.

  • ormuz






    Ormuz, Petróleo e Poder: Análise Independente da Crise no Golfo


    Ormuz, Petróleo e Poder

    O que dizem os analistas independentes sobre a crise no Golfo e quem realmente manda no Irã


    Estreito de Ormuz visto por satélite

    Estreito de Ormuz visto por satélite (NASA / MODIS)

    O Estreito de Ormuz é uma das passagens marítimas mais estratégicas do planeta. Com apenas 33 a 55 km de largura em seus pontos mais estreitos, por ele circula cerca de 20% de todo o petróleo transportado por navios no mundo. Qualquer interrupção prolongada eleva preços, fretes e o risco de instabilidade econômica global.

    Desde fevereiro de 2026, com o início da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, o estreito deixou de ser apenas uma rota comercial e se transformou no principal teatro de pressão geopolítica e energética.

    As vozes independentes que realmente importam

    Em meio a uma cobertura dominada por fontes oficiais e think tanks com agendas claras, esta análise prioriza jornalistas e analistas independentes, com credibilidade e sem vínculo direto com governos.

    Esfandyar Batmanghelidj
    Analista iraniano da diáspora e fundador da Bourse & Bazaar Foundation. Especialista em economia iraniana e sanções. Sua leitura atual é clara: o aumento dos fluxos de petróleo pelo Ormuz (exceto o iraniano) não significa que Teerã perdeu alavancagem. O Irã ainda pode atingir infraestrutura de produção e continua oferecendo saídas diplomáticas, mas rejeita exigências maximalistas.
    Amena Bakr
    Chefe de pesquisa do Oriente Médio e OPEC+ na Kpler, baseada em Dubai. É uma das vozes mais respeitadas sobre fluxos reais de petróleo. Segundo ela, a normalização do Estreito de Ormuz será lenta e irregular, e não depende mais de um grande acordo político.

    Outros nomes relevantes incluem Anas Alhajji, Robin Mills e Richard Bronze.

    O que esperam para o médio prazo (2026-2027)

    Os principais analistas independentes convergem em alguns pontos importantes:

    • A reabertura completa e estável do Estreito de Ormuz não deve ocorrer nos próximos seis meses.
    • A recuperação dos volumes será lenta e irregular, se estendendo ao longo de 2027.
    • O petróleo bruto (crude) se adapta melhor que os produtos refinados.
    • O prêmio de risco geopolítico deve manter os preços elevados (estimativas apontam faixa de US$ 95 a 115 no curto prazo).
    • Existe risco real de nova escalada militar caso o limbo diplomático continue.

    Quem realmente manda no Irã

    Após a morte de Ali Khamenei, o poder real se concentrou no aparato de segurança.


    Presidente Masoud Pezeshkian

    Presidente Masoud Pezeshkian

    Ahmad Vahidi — Comandante-em-Chefe da IRGC. Atualmente um dos homens mais poderosos do país. Hardliner e contrário a concessões diplomáticas significativas.
    Mohsen Rezaei — Secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional. Veterano da IRGC e figura central nas decisões de guerra e segurança.
    Mojtaba Khamenei — Novo Líder Supremo. Mantém a continuidade do sistema, mas com autoridade limitada.
    Mohammad Bagher Ghalibaf — Presidente do Parlamento. Conservador pragmático, faz a ponte entre o campo político e o militar.
    Masoud Pezeshkian — Presidente da República. O mais moderado do sistema. Possui pouca capacidade real de decisão estratégica.
    Abbas Araghchi — Ministro das Relações Exteriores. Diplomata pragmático, sob forte pressão dos hardliners.

    Conclusão

    A crise no Golfo deixou de ser um choque temporário. Tornou-se o novo ambiente operacional do mercado de petróleo. Os produtores do Golfo estão se adaptando com rotas alternativas e pipelines. O Irã perdeu quase toda a capacidade de exportar seu próprio petróleo, mas mantém poder de disrupção. E dentro de Teerã, o poder real continua nas mãos do aparato militar e de segurança, não do governo civil.

    As melhores leituras sobre o tema continuam vindo de quem combina dados concretos de tracking de navios com compreensão profunda da lógica política iraniana.

    Fontes principais: Kpler (Amena Bakr), análises de Esfandyar Batmanghelidj, Energy Aspects, Vortexa, UKMTO, Cipher Brief, Middle East Forum e Maritime Executive.


  • (No Title)

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  • Reportagem sobre Itabira no jornal Valor Economico

    Fiquei curioso com a noticia de que a excelente gestão pública itabirana foi destaque no jornal VALOR ECONOMICO, assim, como sou assinante de seu conteúdo digital, pesquisei e estou disponibilizando o trecho da reportagem que se refere a Itabira, peço a ajuda de voces para encontrar o trecho onde a “boa gestão” do prefeito tem repercussão nacional, vamos à matéria:

     Seis cidades perdem mais de um terço de seus empregos

    Por Denise Neumann e Camilla Veras Mota

    … omiti o início, pois se refere a outras cidades…

    O prefeito de Itabira, Damon Lazaro de Sena (PV), conta que no pico, as obras da Vale (em 2008 a mineradora iniciou um projeto conhecido como Itabiritos, de readequação de minas antigas no quadrilatéro ferrífero) envolveram 10 mil trabalhadores, o que criou empregos em serviços (alojamento e alimentação, entre outros) e na construção, segmento que atraiu muitos migrantes até porque não havia mão de obra disponível na cidade. “Agora, além dos desempregados pelo fim da obra, a crise na mineração provocou muitas outras demissões”, diz o prefeito.Em 2015, o orçamento da cidade previa R$ 525 milhões, mas apenas R$ 460 milhões entraram nos cofres da
    prefeitura. “Só dos royalties da mineração, passamos de R$ 8 milhões mensais no começo do ano passado para R$ 2,5 milhões agora”, informa.
    Assim como a próxima Itabirito, Itabira quer reduzir a dependência da cidade da mineração. Em Itabira, Sena está empenhado em ampliar o campus da Universidade Federal de Itajubá (Unifei) que já funciona na cidade. “É um jeito de usar o dinheiro da mineração para gerar alternativas econômicas que reduzam nossa dependência dela”, diz ele. Em Itabirito, a prefeitura criou um distrito industrial e está confiante que 35 pequenas e médias empresas vão se instalar no local ainda em 2016 e mudar a cara do atual desemprego.
    …  omiti pois se refere a outras cidades …

    A cidade de Itabira, conta o prefeito Sena, também ficou com uma herança de trabalhadores que vieram para as obras e ficaram. “Muitos chegaram ainda em 2008, 2009, casaram e tiveram filhos”, pondera, relacionando que
    essa ampliação da população também demandou mais serviços públicos, em saúde e educação.

    … o restante se refere a outras cidades …

    Dizem que fomos notícia na NHK japonesa também, mas meus conhecimentos niponicos não chegam a tanto.

  • (No Title)

    Padre Antonio Vieira
    Almir Pazzianotto Pinto

                            Passou quase despercebida a data do quarto centenário de nascimento do Padre Antonio Vieira, um dos mais importantes missionários, oradores, escritores, diplomatas, e defensores unidade territorial na história colonial luso-brasileira. Exceto o belo e oportuno texto do padre e professor José Carlos B. Aleixo, publicado no Correio Braziliense em 11 de fevereiro, pouco mais foi escrito sobre a magna data.
                            Natural de Lisboa, nascido em 6 de fevereiro de 1608, era filho de Cristóvão Vieira Ravasco e de Maria de Azevedo, “fidalgos de nobre linhagem”. No final de 1615 transferem-se para o Brasil, indo residir em Salvador, onde o pai fora nomeado escrevente do Tribunal de Relação.
                            Aos 15 anos contraria os pais e ingressa como noviço no colégio dos jesuítas. Um ano depois, com a cidade sob ameaça de invasão pelos soldados holandeses, fogem padres e seminaristas para se abrigar entre indígenas. Aos 17 anos já se achava encarregado de elaborar, em latim, o relatório anual da congregação aos superiores em Roma. Aos 18 passa a lecionar retórica no seminário de Olinda e, em 1633, profere o primeiro sermão público, intitulado “Quarta Dominga da Quaresma”, em que toma como mote o versículo 12 do capítulo VI do Evangelho de São João, sobre a multiplicação dos pães: “Recolhei os pedaços que sobraram, para que nada se perca”. Em 1635, finalmente, recebe as ordens sacerdotais.
                            Com parte do território colonial dominado pela Holanda, e ante os repetidos fracassos dos nossos soldados e colonos diante de tropas melhor aparelhadas, Vieira, em 1640, na Igreja de Nossa Senhora da Ajuda, da cidade de Salvador, prega o sermão “Pelo Bom Sucesso das Armas de Portugal contra as da Holanda”, na opinião dos críticos o mais veemente libelo contra o desamparo divino jamais lavrado em língua portuguesa. Empunhando o Salmo 44 como estandarte depreca: “Acorda, ó Senhor! Por que dormes? Acorda! Não me rejeites para sempre. Por que escondes a tua face, e te esqueces da nossa miséria e da nossa opressão?”. Escreve João Viegas, no posfácio de “A Missão de Ibiapaba”, “Vieira chama Deus ao conflito. Irá Ele permitir que o Brasil caia nas mãos de calvinistas?”. Por certo não, eis que, logo depois, incapazes de quebrar a resistência dos sitiados, os agressores levantam o cerco e se retiram.
                            Vieira foi, antes de tudo, o missionário evangelizador que se opôs às violências praticadas contra os nativos, submetidos a trabalho escravo antes da chegada dos negros africanos, atuação que lhe trouxe o ódio de colonizadores e a hostilidade de representantes da Coroa portuguesa.                        
                            Sob distintos pontos de vista é insuperável a obra sacra e documental deixada por Vieira. São quinze volumes de Sermões e três de Cartas, escritos esparsos, alguns extraviados e outros não concluídos, apesar de haver trabalhado doente e quase cego até as vésperas da morte, em 18 de julho de 1697, aos 90 anos de idade.
                            Algumas das obras-primas de Vieira permanecem surpreendentemente atuais, como a Carta de 1654, em que D. João IV pede-lhe que opine sobre haver na capitania do Pará dois capitães-mores ou um só governador. Responde o jesuíta que “menos mal lhe parecia que houvesse um só ladrão do que dois”, e que “mais dificultoso serão de achar dois homens de bem do que um”. Invoca, a seguir, o romano Catão, a quem fora indicada a designação de dois comandantes para provimento de duas praças-fortes. Redargüiu o imperador que nenhum dos dois nomes o satisfaziam, “um porque nada tinha; outro porque nada lhe bastava”. Concluí Vieira, “e eu não sei qual a maior tentação, se a necessidade, se a cobiça”.
                            Revestido do mesmo ímpeto acusatório é o sermão do Bom Ladrão, pregado na Igreja da Misericórdia de Lisboa, em 1655. Narra Vieira que, tendo D.João III solicitado a São Francisco Xavier que o informasse sobre o estado em que se encontravam os interesses portugueses na Índia, respondeu-lhe o santo que ali o verbo rapio (arrebatar, roubar, pilhar, saquear) era conjugado em todos os tempos e modos. Furtava-se no indicativo, imperativo, mandativo, optativo, conjuntivo, potencial, permissivo, infinitivo, “porque não tem fim o furtar com o fim do governo, e sempre lhe deixam raízes em que se vão continuando os furtos”. Acrescentou Vieira: “não lhes escapam os imperfeitos, perfeitos, plusquam perfeitos e quaisquer outros, porque furtam, furtaram, furtavam, furtariam e haveriam de furtar mais, se houvesse”.
                            Numa época em que a moralidade pública baixou a níveis críticos, e tanto a política como as confissões religiosas transformaram-se em fontes de súbito e duvidoso enriquecimento, não é de surpreender o silêncio que se fez em torno do quarto centenário de nascimento do extraordinário e santo jesuíta.
                            Padre Vieira, com efeito, caiu no esquecimento.

    Almir Pazzianotto Pinto é advogado, foi Ministro do Trabalho e presidente do Tribunal Superior do Trabalho.
    publicado no Correio Braziliense da Segunda-feira, 11 de março de 2008

  • (No Title)

    Texto muito bom. Sera mesmo do bado?

  • APRENDER





    Depois de algum tempo você aprende a diferença, 
    A sutil diferença entre dar uma mão e acorrentar uma alma, 
    E você aprende que amar não é apoiar-se 
    E que companhia nem sempre significa segurança, 
    E começa aprender que beijos não são contratos, 
    E presentes não são promessas. 


    E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e os olhos adiante, 
    Com a graça de um adulto, e não com a tristeza de uma criança 
    E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, 
    Porque o terreno de amanhã é incerto demais para os planos, 
    E o futuro tem o costume de cair em meio ao vão. 


    Aprende que falar pode curar dores emocionais 
    Descobre que se leva anos para construir uma confiança 
    E apenas segundos para destruí-la. 
    E que você pode fazer coisas em um instante, 
    Das quais se arrependerá pelo resto de sua vida. 


    Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer 
    Mesmo a longa distância, 
    E o que importa não é o que você tem na vida, 
    Mas quem você tem na vida. 
    E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher. 


    Aprende que não temos que mudar de amigos 
    Se compreendermos que os amigos mudam, 
    Percebe que o seu melhor amigo e você 
    Podem fazer qualquer coisa ou nada 
    E terem bons momentos juntos. 


    Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que o ame 
    Não significa que esse alguém não o ame com tudo que pode 
    Pois existem pessoas que nos amam 
    Mas simplesmente não sabe como demonstrar ou viver com isso. 


    Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém 
    Algumas vezes você tem que aprender a perdoar a si mesmo 
    Aprende que com mesma severidade com que você julga 
    Você será em algum momento condenado. 


    Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, 
    O mundo não pára para que você o conserte, 
    Aprende que tempo é algo que não pode voltar para trás, 
    Portanto, plante seu jardim e decore sua alma, 
    Ao invés de esperar que alguém lhe traga flores. 


    E você aprende que realmente pode suportar, que realmente é forte, 
    E que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. 
    E que a vida realmente tem valor, 
    E que você tem valor diante da vida. 
    E você finalmente aprende que nossas dúvidas são traidoras 
    E nos faz perder o bem que poderíamos conquistar, 
    Se não fosse o medo de tentar… 



    – (William Shakespeare) 

  • (No Title)

    Mastoiditis caused by bacterial infection spreads from the middle ear.h Lucio et al. [url=http://tadalafilfor.com/#omuayid]cialis canada[/url] ITCITC.The potential risk posed by herbal or other natural or homeopathic medications e..These attitudes hardened in Europe during the Middle Ages as the stigmatization of the mentally ill increased.

  • A Definição de Software Livre

    A Definição de Software Livre

    A definição de software livre apresenta os critérios utilizados para definir
    se um programa de computador em particular se qualifica como software livre
    ou não. De tempos em tempos nós revisamos essa definição, para clarificá-la
    ou para resolver questões mais sutis. Veja a seção
    Histórico
    abaixo para uma lista de mudanças que afetam a definição de
    software livre.

    Por “software livre” devemos entender aquele software que respeita a
    liberdade e senso de comunidade dos usuários. Grosso modo, os usuários
    possuem a liberdade de executar, copiar, distribuir, estudar, mudar e
    melhorar o software
    . Com essas liberdades, os usuários (tanto
    individualmente quanto coletivamente) controlam o programa e o que ele faz
    por eles.

    Quando os usuários não controlam o programa, o programa controla os
    usuários. O desenvolvedor controla o programa e, por meio dele, controla os
    usuários. Esse programa não-livre e “proprietário” é, portanto, um
    instrumento de poder injusto.

    Assim sendo, “software livre” é uma questão de liberdade, não de preço. Para
    entender o conceito, pense em “liberdade de expressão”, não em “cerveja
    grátis”.

    Um programa é software livre se os usuários possuem as quatro liberdades
    essenciais:

    • A liberdade de executar o programa, para qualquer propósito (liberdade 0).
    • A liberdade de estudar como o programa funciona, e adaptá-lo às suas
      necessidades (liberdade 1). Para tanto, acesso ao código-fonte é um
      pré-requisito.
    • A liberdade de redistribuir cópias de modo que você possa ajudar ao próximo
      (liberdade 2).
    • A liberdade de distribuir cópias de suas versões modificadas a outros
      (liberdade 3). Desta forma, você pode dar a toda comunidade a chance de
      beneficiar de suas mudanças. Para tanto, acesso ao código-fonte é um
      pré-requisito.

    Um programa é software livre se os usuários possuem todas essas
    liberdades. Portanto, você deve ser livre para redistribuir cópias,
    modificadas ou não, gratuitamente ou cobrando uma taxa pela distribuição, a
    qualquer um, em qualquer lugar. Ser livre para
    fazer tudo isso significa (entre outras coisas) que você não deve ter que
    pedir ou pagar pela permissão para fazê-lo.

    Você também deve ter a liberdade de fazer modificações e usá-las
    privativamente ou em seu trabalho ou lazer, sem sequer mencionar que eles
    existem. Se publicar suas modificações, você não deve ser obrigado a avisar
    ninguém em particular, ou de qualquer modo em particular.

    A liberdade de executar o programa significa que qualquer tipo de pessoa ou
    organização é livre para usá-lo em qualquer tipo de sistema computacional,
    ou para qualquer tipo de trabalho e propósito, sem que seja necessário
    comunicar ao desenvolvedor ou qualquer outra entidade específica. Nessa
    liberdade, é o propósito do usuário que importa, não aquele do
    desenvolvedor; você, como usuário, é livre para rodar o programa
    para seus propósitos e, caso você o distribua a outra pessoa, ela também
    será livre para executá-lo com os propósitos dela, mas você não é intitulado
    a impor seus propósitos sobre ela.

    A liberdade de redistribuir cópias deve incluir formas executáveis ou
    binárias do programa, bem como o código-fonte, tanto da versão modificada
    quanto da inalterada. (Distribuir programas em formato executável é
    necessário para sistemas operacionais livres e convenientemente
    instaláveis.) Não há problemas se não for possível produzir uma forma
    binária ou executável (pois algumas linguagens de programação não suportam
    este recurso), mas deve ser concedida a liberdade de se redistribuir nessas
    formas caso seja desenvolvido um meio de criá-las.

    Para que as liberdades 1 e 3 (a liberdade de modificar e a liberdade de
    publicar versões modificadas) façam sentido, você deve ter acesso ao
    código-fonte do programa. Consequentemente, acesso ao código-fonte é uma
    condição necessária para o software livre. Código-fonte “obscurecido” não é
    código-fonte real e não conta como código-fonte.

    A liberdade 1 inclui a liberdade de usar sua versão modificada em lugar da
    original. Se um programa é entregue num produto projetado para rodar a
    versão de outra pessoa, mas se recusa a rodar a sua — prática conhecida como
    “tivoização”1, “travamento” ou ainda
    (na terminologia perversa de seus praticantes) como “boot seguro” — a
    liberdade 1 se torna ficção teórica ao invés de liberdade prática. Isso não
    é suficiente. Em outras palavras, esses binários não são software livre
    mesmo que o código-fonte a partir do qual foram compilados seja livre.

    Uma maneira importante de modificar um programa é agregar a ele módulos e
    sub-rotinas livres. Se a licença do programa diz que você não pode agregar a
    ele um módulo com uma licença adequada — por exemplo, se ele requer que você
    seja o detentor dos direitos autorais de qualquer código que adicionar —
    então essa licença é muito restritiva para ser qualificada como livre.

    A liberdade 3 inclui a liberdade de publicar quaisquer versões modificadas
    como software livre. Uma licença livre também pode permitir outras maneiras
    de liberá-las; em outras palavras, ela não tem que ser uma licença copyleft. No entanto, a licença que requer
    que modificações sejam não-livres não se qualifica como uma licença livre.

    Para que essas liberdades sejam reais, elas devem ser permanentes e
    irrevogáveis desde que você não faça nada de errado; se o desenvolvedor do
    software tiver o poder de revogar a licença, ou adicionar restrições
    retroativamente a seus termos, sem que você faça nada errado para dar um
    motivo, o software não é livre.

    Todavia, certas regras sobre a maneira de distribuir o software são
    aceitáveis, quando elas não entram em conflito com as liberdades
    centrais. Por exemplo, o copyleft (apresentado de maneira muito simples) é a
    regra de que, quando redistribuindo um programa, você não pode adicionar
    restrições quem neguem as liberdades centrais de outras pessoas. Essa regra
    não entra em conflito com as liberdade centrais; na verdade, ela as protege.

    “Software livre” não significa “não comercial”. Um programa livre deve estar
    disponível para uso comercial, desenvolvimento comercial e distribuição
    comercial. Desenvolvimento comercial de software livre deixou de ser
    incomum; tais software livre comerciais são muito importantes. Você pode ter
    pago dinheiro por suas cópias de software livre, ou você pode tê-las obtido
    a custo zero, mas independentemente de como você conseguiu suas cópias, você
    sempre deve ter a liberdade para copiar e mudar o software, ou mesmo para vender cópias.

    Se uma modificação constitui ou não um aperfeiçoamento é uma questão
    subjetiva. Se o seu direito de modificar um programa é limitado,
    fundamentalmente, a mudanças que outra pessoa considere um aperfeiçoamento,
    o programa não é livre.

    No entanto, regras sobre como empacotar uma versão modificada são
    aceitáveis, se elas não limitam substantivamente sua liberdade de liberar
    versões modificadas, ou sua liberdade de criar e usar modificações
    privadamente. Portanto, é aceitável que uma licença requira que você mude o
    nome do programa na versão modificada, remova um logo ou identifique suas
    modificações como suas. Desde que esses requerimentos não sejam tão penosos
    que eles efetivamente sejam um empecilho à distribuição de suas mudanças,
    eles são aceitáveis; você já está fazendo outras modificações ao programa,
    não terá muitos problemas em fazer algumas a mais.

    Uma questão especial surge quando uma licença requer a mudança do nome pelo
    qual o programa é invocado por outros programas. Isso efetivamente cria
    obstáculos à publicação de uma versão modificada que possa substituir a
    original quando invocada por aqueles outros programas. Esse tipo de
    requerimento é aceitável apenas quando existe uma maneira de especificar um
    nome substituto, de modo que o programa modificado possa ser invocado.
    Regras que dizem que “se você publicar sua versão de certa maneira, terá de
    publicá-la dessa outra também” podem ser também aceitáveis, na mesma
    condição. Um exemplo de regra aceitável é uma que diz que se você distribuiu
    uma versão modificada e um desenvolvedor anterior pedir por uma cópia, você
    deve enviar uma. (Note que tal regra ainda lhe deixa a possibilidade de
    distribuir ou não sua versão.) Regras que requerem a liberação do
    código-fonte para os usuários para versões que você fez públicas também são
    aceitáveis.

    No projeto GNU, nós usamos o copyleft
    para proteger legalmente essas liberdades para todos. Mas software que
    não usa o copyleft
    também existe. Nós acreditamos que existem razões
    importantes pelas quais é melhor usar o
    copyleft
    , mas se o seu programa é software livre que não faz uso do
    copyleft, ele ainda é basicamente ético. (Veja Categorias de Software Livre para uma
    descrição de como “software livre” e “copylefted software” e outras
    categorias de software se relacionam umas com as outras.)

    Algumas vezes, as regulamentações de controle de
    exportação
    governamentais e sanções comerciais podem reprimir sua
    liberdade de distribuir cópias de programas
    internacionalmente. Desenvolvedores de software não têm o poder para
    eliminar ou passar por cima dessas restrições, mas o que eles podem e devem
    fazer é se recusar a impô-las como condições para o uso do programa. Dessa
    maneira, restrições não irão afetar as atividades e pessoas fora da
    jurisdição desses governos. Portanto, licenças de software livre não devem
    requerer a obediência a qualquer regulamentações de exportação como uma
    condição para qualquer das liberdades essenciais.

    A maioria das licenças de software livre são baseadas no copyright, e
    existem limites para que tipo de requerimentos podem ser impostos por meio
    do copyright. Se uma licença baseada no copyright respeita a liberdade nas
    maneiras descritas acima, é improvável que ela possua algum outro tipo de
    problema nunca antes antecipado (embora isso ocorra ocasionalmente). No
    entanto, algumas licenças de software livre baseadas em contratos e
    contratos podem impor uma lista muito maior de restrições possíveis. Isso
    significa que existem muitas maneiras nas quais tal licença pode ser
    inaceitavelmente restritiva e não-livre.

    Não não podemos listar tudo o que pode acontecer. Se uma licença baseada em
    contrato restringe o usuário de uma maneira incomum que as licenças baseadas
    no copyright não podem, e que não é mencionada aqui como legítima, nós
    teremos que pensar sobre isso, e provavelmente iremos concluir que ela é
    não-livre.

    Quando falamos sobre software livre, é melhor evitar termos como “dado” ou
    “de graça”, porque estes termos implicam que a questão é o preço, não a
    liberdade. Alguns termos comuns como “pirataria” englobam opiniões que nós
    esperamos que você não endosse. Veja Palavras e Termos Confusos que é
    Melhor Evitar
    para uma discussão desses termos. Nós também temos uma
    lista de traduções apropriadas de
    “free software”
    em várias línguas.

    Finalmente, note que os critérios como aqueles exprimidos nessa definição de
    software livre requerem cuidadosa deliberação quanto a sua
    interpretação. Para decidir se uma licença de software específica se
    qualifica como uma licença de software livre, nós a julgamos baseado nesses
    critérios para determinar se ela se encaixa no espírito bem como nas
    palavras precisas. Se uma licença inclui impensadas, nós a rejeitamos, mesmo
    que não tenhamos antecipados o problema nesses critérios. Algumas vezes,
    algum requerimento de uma licença cria um problema que requer extensiva
    reflexão, incluindo discussões com um advogado, antes que possamos decidir
    se o requerimento é aceitável. Quando chegamos a uma conclusão sobre uma
    nova questão, nós frequentemente atualizamos estes critérios para tornar
    mais fácil determinar se uma certa licença se qualifica ou não.

    Se você está interessado em saber se uma licença específica se qualifica
    como uma licença de software livre, veja nossa lista de licenças. Se a licença na
    qual você está interessado não está listada, você pode nos perguntar sobre
    ela mandando um e-mail para .

    Se você está considerando escrever uma nova licença, por favor,
    primeiramente entre em contato pelo mesmo endereço com a Free Software
    Foundation. A proliferação de diferentes licenças de software livre
    significa mais trabalho para os usuários entenderem essas licenças; nós
    podemos ser capazes de ajudá-lo a encontrar uma licença de software livre
    existente que atenda às suas necessidades.

    Se isso não for possível, e você realmente precisar de uma nova licença, com
    nossa ajuda você pode ter certeza de que a licença realmente é uma licença
    de software livre e evitar vários problemas práticos.

    Além do Software

    Manuais de software devem ser livres
    pelas mesmas razões que software deve ser livre, e porque manuais são, com
    efeito, parte do software.

    Os mesmos argumentos também fazem sentido para outros tipos de trabalhos de
    uso prático — isto é, trabalhos que englobam conhecimento útil, como obras
    educativas e de referência. A Wikipédia é
    o exemplo mais conhecido.

    Qualquer tipo de obra pode ser livre, e a definição de software
    livre pode ser estendida para a definição de obras culturais livres, aplicável a
    qualquer tipo de obra.

    Código Aberto?

    Outro grupo começou a usar o termo “código aberto” (do inglês open
    source
    ) com um significado parecido (mas não idêntico) ao de “software
    livre”. Nós preferimos o termo “software livre” porque, uma vez que você
    tenha ouvido que ele se refere à liberdade ao invés do preço, ele traz à
    mente a liberdade. A palavra “aberto” nunca se refere à
    liberdade
    .

    Histórico

    De tempos em tempos, revisamos essa Definição de Software Livre. Aqui está
    uma lista de mudanças, juntamente com links para mostrar exatamente o que
    foi modificado.

    • Versão
      1.111
      : Esclarece 1.77 ao adicionar que apenas restrições
      retroativas são inaceitáveis. Os detentores dos direitos autorais podem
      sempre garantir permissões adicionais de uso do trabalho ao liberar
      o trabalho de outra maneira, em paralelo.
    • Versão
      1.105
      : Reflete, numa breve afirmação da liberdade 1, a ideia (já
      discutida na versão 1.80) de que ela inclui realmente o ato de usar versões
      modificadas para seus interesses.
    • Versão
      1.92
      : Esclarece que código obscurecido não qualifica como código-fonte.
    • Versão
      1.90
      : Esclarece que a liberdade 3 significa o direito de distribuir
      cópias que você modificou ou suas versões aperfeiçoadas, não o direito de
      participar no desenvolvimento do projeto de outra pessoa.
    • Versão
      1.89
      : A liberdade 3 inclui o direito de liberar versões modificadas como
      software livre.
    • Versão
      1.80
      : A liberdade 1 deve ser prática, não somente teórica, i.e., sem
      tivoização.
    • Versão
      1.77
      : Esclarece que todas as mudanças retroativas a uma licença são
      inaceitáveis, mesmo que ela não seja descrita como uma substituição total.
    • Versão
      1.74
      : Quatro esclarecimentos sobre pontos não suficientemente
      explícitos, ou expostos em alguns lugares mas não refletidos em todos os
      lugares:

      • “Melhorias” não significa que a licença pode substantivamente limitar que
        tipo de versões modificadas você pode liberar. A liberdade 3 inclui
        distribuir versões modificadas, não somente mudanças.
      • O direito de agregar módulos existentes se refere àqueles que são
        adequadamente licenciados.
      • Explicitamente expõe a conclusão do argumento sobre o controle de
        exportações.
      • Impor uma mudança de licença constitui revogar uma licença antiga.
    • Versão
      1.57
      : Adiciona a seção “Além do Software”.
    • Versão
      1.46
      : Esclarece o propósito de quem é importante na liberdade de
      executar o programa para qualquer propósito.
    • Versão
      1.41
      : Esclarece a redação sobre licenças baseadas em contratos.
    • Versão
      1.40
      : Explica que uma licença livre deve permitir que você use software
      livre disponível para criar suas modificações.
    • Versão
      1.39
      : Nota que é aceitável que uma licença requeira que você forneça o
      código-fonte para versões do software que você colocou em uso público.
    • Versão
      1.31
      : Nota que é aceitável que uma licença requeira que você se
      identifique como o autor de modificações. Outros esclarecimentos menores por
      todos texto.
    • Versão
      1.23
      : Discute problemas potenciais relacionados a licenças baseadas em
      contratos.
    • Versão
      1.16
      : Explica por que a distribuição de binários é importante.
    • Versão
      1.11
      : Nota que uma licença livre pode requerer que você mande uma cópia
      das versões que você distribui ao autor.

    Existem lacunas nos números das versões mostrados acima, pois existem outras
    mudanças para essa página que não afetam a definição como ela é. Essas
    mudanças são em outras partes da página. Você pode inspecionar a lista
    completa de mudanças da página pela interface
    cvsweb
    .

    Nota do tradutor:

    1. “Tivoização” vem do inglês “tivoization”, prática
      utilizada pela marca de gravadores de vídeo digital TiVo que, embora
      utilizasse software livre, não permitia que usuários executassem versões
      modificadas do software em seu hardware.